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Empresa de Locação de caminhão planeja lançar ações em Bolsa

Após greve de caminhoneiros, segmento ganha fôlego com aluguel ou aquisição de frota por companhias

Caminhões na Via Dutra, no Rio de Janeiro Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

Ana Paula Ribeiro

SÃO PAULO – A paralisação dos caminhoneiros, em maio, atrapalhou a recuperação da economia, mas teve como efeito o aumento dos negócios da empresa Vamos, braço do grupo de logística JSL que trabalha com aluguel de caminhões e equipamentos agrícolas pesados (tratores e colheitadeiras). Diante da expectativa de continuidade desse movimento e potencial de expansão de clientes, a empresa prepara sua abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) e venda de ações.

— A tabela do frete aumentou o gasto das empresas com autônomos. Elas estão buscando alternativas. Querem uma frota própria, mas é um custo alto, então acabam alugando— disse Gustavo Moscatelli, diretor financeiro da Vamos.

Ao fazer seu IPO, a empresa, que conta com mais de dez mil caminhões e outros equipamentos, vai seguir os passos da Movida, empresa de locação de automóveis de passeio, também controlada pela JSL, que fez a sua oferta inicial de ações em fevereiro de 2017.

— O IPO traz alguns benefícios para a empresa e a holding. Teremos o acesso a capital mais barato e, para o controlador, vai ter geração de valor ao negócio — disse Moscatelli.

DEPENDE DO MERCADO

O executivo, no entanto, não quis fixar um prazo para fazer a operação. Afirmou que a empresa já está preparada (tem balanço auditado e documentação atualizada para apresentar aos órgãos reguladores), mas que o pedido de registro à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) dependerá das condições de mercado, ou seja, os investidores precisam estar com apetite para comprar ações de companhias estreantes na Bolsa.

Enquanto no ano passado foram feitos dez IPOs de empresas no Brasil, em 2018 houve apenas três. Essa retração é justificada pela piora do mercado externo, com a incerteza causada pela guerra comercial entre China e Estados Unidos e a elevação dos juros americanos. A disputa eleitoral no Brasil também contribuiu com a maior volatilidade dos mercados.

Maurício Lima, sócio diretor da consultoria de logística Ilos, lembra que a tabela do frete — fruto da greve dos caminhoneiros — fez o custo do contratante subir, em média, 20%, o que justifica a busca pelo aluguel de caminhões.

A oferta de veículos em todo o território nacional e a inclusão do serviço de manutenção no pacote do aluguel são outros dois fatores que, segundo o consultor, tornariam o negócio mais atraente.

— A empresa, que precisa embarcar produtos para diferentes lugares, não vai precisar investir na gestão de uma área da qual não tem conhecimento—explicou.

TABELA DE FRETE

Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) derrube a obrigatoriedade da tabela do frete, a migração para esse modelo pode ser mais lenta, ponderou Lima.

Mesmo que a tabela de frete não perdure, Álvaro Frasson, analista da corretora Spinelli, acredita que a Vamos continuará sendo um bom negócio para a JSL. Com o crescimento da economia, a demanda por fretes e caminhões aumentará, e as empresas não vão contar, dessa vez, com financiamentos subsidiados do BNDES:

— A situação fiscal do país mudou, e não vai ter subsídio. A empresa vai ter que alugar.

Enquanto as empresas ainda tentam encontrar o melhor modelo para transporte de cargas, a produção de caminhões acumula alta de 51,2% de janeiro a setembro. A produção passou de 34.091 veículos para 51.546.

 

Fonte: O Globo

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Matéria no NoticiadorWeb: Empresa de Locação de caminhão planeja lançar ações em Bolsa

Autor: Newsletter do Locador

Data de Publicação: 24/10/2018

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