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Contêineres ganham um novo rumo na construção

Pernambucana Piraju trabalhava com a locação dos equipamentos e, para garantir maior vida útil, passou a utilizá-los em construções comerciais e residenciais

Leonardo Buarque afirma que expectativa é repetir o bom desempenho de 2017 e crescer 30% em 2018. Foto: Piraju/Divulgação

A curta vida útil dos contêineres, material que serve como base para o trabalho da Piraju, garantiu a eles e também à empresa pernambucana um novo rumo. Antes focada na locação dos equipamentos para diversos segmentos, o contêiner acabava inutilizado após vencer o seu prazo de validade, que dura em média 10 anos, a depender do seu uso. Além disso, a reciclagem despontava como possibilidade inviável pelo seu alto custo. Em meados de 2014, a Piraju resolveu apostar nos contêiners como uma nova solução para além das já utilizadas pela empresa ao longo de seus 20 anos de história e começou a trabalhar os equipamentos para outras formas de uso, como para construção de pontos comerciais e, em seguida, como base para a construção de imóveis. A média de economia nos custos é de 23% e de tempo chega a 50%. A aceitação do mercado tem sido positiva, tanto que a empresa fechou 2017 com crescimento de 30% e a expectativa é repetir o desempenho positivo neste ano.

A Piraju Contêiners nasceu com a proposta de fazer a locação dos equipamentos para vários segmentos, mas principalmente para construtoras. "A gente aproveitava os contêiners para locar e ainda fazemos isso até hoje. A gente pega o contêiner bruto e transforma em um módulo habitável para servir como almoxarifado ou escritórios de obras, por exemplo", explica o sócio Leonardo Buarque. A questão é que, com o passar dos anos, a empresa percebeu que o tempo de vida útil do contêiner era curto e ele acabava sendo inutilizado. "Como é utilizado para transporte, ele tem um prazo de validade, que é de 10 anos. Depois disso, ele tem que ser descartado ou reutilizado. Então, com a mudança no mercado e a crise na construção civil, começamos a pensar o que poderíamos fazer de diferente com o equipamento que a gente já trabalha", complementa.

A partir de 2014, foi criado um novo braço na empresa com o objetivo de continuar trabalhando com os contêineres, por já ter o conhecimento, mas com foco em um público diferente, que não é uma empresa, mas o consumidor final. "Como a reciclagem era inviável para a gente por conta do alto custo, queríamos encontrar uma solução para este equipamento e ainda pensamos em algo para uma construção mais sustentável e essa parte do grupo se especializou em customização de contêineres", explica Leonardo Buarque. A aceitação, segundo o sócio, tem sido positiva. "As pessoas têm demonstrado muito interesse principalmente por ser uma coisa nova e que quebra paradigmas", acrescenta.

Os projetos da Piraju voltados para a construção começaram com soluções para pontos comerciais e até hoje seguem esse formato em sua maioria. "Nesta área, trabalhamos mais com lojas e projetos do ramo alimentício. Já fizemos estruturas de bares, restaurantes, food parks, é algo que traz um diferencial com uma estrutura diferente, que chama a atenção. E não só aqui, como em João Pessoa (PB) e Natal (RN) também. Estamos tendo procura na área de hotelaria, mas a negociação é mais lenta porque é um investimento maior. Mas estamos fechando para fazer uma pousada em Noronha com contêineres", revela Leonardo Buarque.

A empresa está começando a atuar também em projetos residenciais e já está construindo uma casa em Aldeia, porém esse ainda é um mercado que tem muito a crescer. "A questão é que os grandes bancos que oferecem o financiamento residencial ainda não reconhecem a estrutura em contêiner como método construtivo. Então, estamos trabalhando para que eles reconheçam e financiem a casa construída neste modelo. Isso ajudaria a crescer porque hoje pouca gente tem disponibilidade de dinheiro para construir à vista uma residência. Isso acontece mais com quem vai investir em um negócio e já tem a verba disponível", afirma o sócio.

Contêiner serviu como base para uma loja em Natal. Foto: Piraju/Divulgação

 

Estrutura garante mais versatilidade e economia

O uso do contêiner para a construção de projetos comerciais e residenciais garante versatilidade, com a possibilidade de customização do equipamento, e ainda traz benefícios como a economia de tempo e de dinheiro. Segundo o sócio da Piraju Contêiners, Leonardo Buarque, os custos ficam, em média, 23% mais baratos, mas esse número pode chegar a mais de 30%. Já a agilidade na construção, que é praticamente toda montada na fábrica da empresa, faz com que a conclusão da obra seja bem mais rápida, podendo chegar a 50% do tempo de uma construção tradicional. "Um projeto para a área industrial leva cerca de 20 dias para ficar pronto. Já uma construção residencial a gente consegue construir uma média de dois metros quadrados por dia", diz.

A casa de Aldeia que está sendo construída é o primeiro projeto nesta área da empresa. Ela terá 30 metros quadrados, em estilo loft, com o uso de apenas um contêiner e ambiente integrado. Leonardo Buarque garante que a estrutura, aos olhos de quem entra no imóvel, é similar à construção convencional. "A diferença é basicamente a estrutura da casa em si que, ao invés de alvenaria, usa aço, com o contêiner servindo como base. Mas internamente, se não disser que é um contêiner, ninguém percebe. As paredes têm acabamento no estilo de uma casa normal, haverá divisórias e banheiro com revestimento de porcelanato. Fica idêntico, não deixa nada a desejar", conta o sócio, que revela que 90% dos clientes questionam em relação ao clima e ressalta que a Piraju adota soluções para evitar a temperatura alta dentro da casa.

A agilidade na construção, além da economia, é apontada como uma vantagem. "Para esse projeto de Aldeia demos um prazo de 15 dias como desafiador para ficar pronto e de 30 com uma meta confortável", afirma. Todos os projetos voltados para construção com contêiners, seja na área comercial ou residencial, são montados na fábrica da empresa, que fica na BR-101, com 30 mil metros quadrados de área, divididos entre área de contêineres para locação e para execução. "Temos uma estrutura de galpão onde faz um pedaço da montagem e um pátio aberto porque alguns projetos não têm condições de montar em área coberta e temos esse mix para atender aos mais diversos projetos. O número de projetos simultâneos depende do tamanho deles. Hoje estamos trabalhando com oito", explica. A ideia é executar a montagem da estrutura na fábrica, desmontar e montar no local onde ficará em definitivo. "A ideia é fazer o mínimo de incisões, retoques e pintura no final. A gente sempre tenta tirar o projeto 95% pronto da fábrica, é assim que a gente consegue potencializar a economia", acrescenta.

Leonardo Buarque ainda ressalta a questão da sustentabilidade como ponto positivo. "A gente está reciclando um material que antes precisava ser descartado. Conseguimos reutilizá-lo de forma bem aplicada, em uma construção rápida e barata, que não gera tanto impacto de resíduo. Além disso, dependendo da estrutura, podemos fazer um imóvel itinerante, que pode estar hoje em Gravatá e amanhã em Porto de Galinhas", sugere.

 

Fonte: Díario de Pernambuco

Página Relacionada: www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2018/06/03/internas_economia,753955/conteineres-ganham-um-novo-rumo-na-construcao.shtml

Matéria no NoticiadorWeb: Contêineres ganham um novo rumo na construção

Autor: MKT PortaldoLocador.com

Data de Publicação: 05/06/2018

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