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Empresa de Joinville cria sistema de locação e número de robôs cresce na indústria brasileira

Enquanto densidade na Coréia do Sul é de 631 robôs para cada 10 mil trabalhadores, no Brasil número é de 10 robôs para cada 10 mil trabalhadores.

Com sistema de locação, empresa catarinense pretende aumentar número de robôs na indústria brasileira (Foto: Pollux/Divulgação)

Há vinte anos, José Rizzo criou uma empresa com um objetivo: buscar soluções para tornar a indústria brasileira mais competitiva. Ao longo do tempo, conseguiu isso de diversas formas, mas é um de seus projetos mais recentes que parece estar concretizado esse desejo: sua empresa, a Pollux, de Joinville, propôs um sistema de locação de robôs para indústrias, cuja ideia, segundo ele, surgiu justamente por causa da crise econômica no país. “Nesses momentos, as empresas se preocupam em ser mais competitivas, então essa pode ser uma solução”, explica o CEO.

De acordo com a Federação Internacional de Robótica (IFR, na sigla em inglês), na Coreia do Sul, que lidera o processo de automação, há 631 robôs para cada grupo de 10 mil trabalhadores. No mundo todo, o índice é de 74 robôs por cada 10 mil trabalhadores. Enquanto isso, no Brasil, segundo Rizzo, o número é de 10 robôs para cada 10 mil trabalhadores.

“O Brasil tem um potencial maravilhoso, mas isso deixa a indústria brasileira em uma enorme desvantagem competitiva”, afirma.

Rizzo se formou em engenharia mecânica nos Estados Unidos e quando retornou ao Brasil, na década de 1990, já voltou disposto a empreender nessa área. Antes disso, porém, trabalhou durante quatro anos na Embraco, também em Joinville, onde passou “pela segunda universidade”, como ele mesmo define. Mais preparado, em 1996, reuniu outros sócios que também tinham a intenção de buscar soluções por meio de aplicação de tecnologia e criou a Pollux. Com o tempo, outros três sócios chegaram, conforme a empresa foi crescendo.

Segundo o empresário, na época, buscar soluções tecnológicas era um desafio ainda maior. “Imagina que não havia internet, então eu decidi viajar em busca de novas tecnologias. Percebi que tínhamos engenharia de qualidade para dar um atendimento local e vi que poderíamos ter aqui o que já tinha na Alemanha, no Japão”, relembra o engenheiro.Já no início, Rizzo conta que a Pollux se destacou por conseguir desenvolver um sistema chamado “Sistema de Visão”, que facilitou o trabalho sobretudo das indústrias farmacêuticas. Segundo o CEO, esse sistema utiliza uma câmera para capturar informações do rótulo dos produtos, como data de validade, e confere se tudo está correto. Antes, esse trabalho era feito de forma manual.

“As indústrias têm linhas de produção cada vez mais rápidas, mas imagina colocar pessoas checando 200 produtos por minuto. Quantas pessoas seriam necessárias? Mas com a máquina, além de eliminar o risco de erro, você também ganha agilidade”, explica ele.

Segundo o CEO da Pollux, robôs podem ser solução para desempenhar trabalhos de risco, como carregamentos (Foto: Pollux/Divulgação)

Robô como serviço

Outros sistemas foram desenvolvidos pela empresa ao longo do tempo e a produção de robôs para a indústria já era constante, mas ainda era intrigante para o empresário o fato das empresas brasileiras utilizarem tão pouco essa tecnologia: “um dos desafios da nossa empresa nos últimos anos foi buscar entender porque no Brasil a defasagem é tão grande. Então percebemos que, historicamente, a mão de obra era barata e a tecnologia cara. Além disso, há a insegurança diante da instabilidade econômica”, relata Rizzo.

Diante dessa constatação, a empresa resolveu criar o sistema de robô como serviço, que compreende desde a visita de uma equipe técnica à empresa para identificar as funções em que o robô seria uma alternativa, até o aluguel, capacitação e manutenção do equipamento.

“Nesse sistema, o cliente paga um valor para utilizar o robô e a Pollux mantém ele operando”, explica o CEO.

Para o empresário, tanto a solução encontrada pela Pollux quanto a iniciativa dos empresários de pesquisarem opções como a de robôs, foi graças a crise. “É como dizem: toda crise é oportunidade. Justamente nesses períodos as empresas se preocupam em se tornar mais eficientes, mais produtivas. E aí as soluções de tecnologia podem ser interessantes”, explica.

O CEO ainda dá o exemplo da indústria automotiva, que mesmo com um volume de vendas menor, continua lançando novos veículos constantemente. “Atualmente, 60% dos negócios da Pollux estão voltados à linha de montagem, principalmente para o setor automotivo, que foi um dos mais afetados pela crise. E, nesse sentido, a alternativa para essas empresas foi investir em tecnologia”, afirma Rizzo. Ele também comenta que atualmente 80% dos carros que circulam no Brasil foram fabricados com sistemas da Pollux. Além disso, a empresa também exporta tecnologias para outros países.

Assim, oferecendo soluções, no momento em que a economia brasileira passou por uma de suas piores fases, a empresa de Joinville dobrou de tamanho, com estimativa de dobrar novamente nos próximos três. Ainda conforme Rizzo, com o sistema de robôs como serviço, a demanda também multiplicou: “de cada 10 robôs que nós instalamos, 8 é nesse sistema de locação. No último ano, foram 70 robôs alugados e uma demanda para 200”, comemora.

Há 20 anos José Rizzo desenvolve soluções tecnológicas para indústrias do país e exterior (Foto: Pollux/Divulgação)

Empreendedorismo

Apesar de ter uma empresa com mais de vinte anos, Rizzo comenta que é entusiasta do empreendedorismo, seja para motivar o surgimento de novas empresas, quanto estimular o crescimento de talentos na própria empresa.

“Pelo quinto ano consecutivo a Pollux foi eleita como uma das melhores empresas para trabalhar. Isso é porque a nossa cultura é manter um ambiente informal, sem grandes hierarquias e comunicação fácil, com oportunidades para os jovens talentos que chegam na empresa com o propósito de crescerem”.

Segundo ele, à frente da Pollux uma parte do sonho que tinha há 20 anos já está realizada: “Com a empresa, meu desejo é que continue com esse espírito patriota, sendo empresa brasileira capaz de competir com empresas no mundo inteiro”, afirma ele.

A outra parte do sonho é conseguir ajudar outras empresas brasileiras da cidade e do país, como já planejava há duas décadas. “Hoje faço mentoria para empresas e atuo em instituições de forma voluntária, porque sonho com um país melhor”, diz.

Ele também afirma que é otimista em relação ao país e também Santa Catarina: “eu já morei fora e viajo muito, então consigo comparar: aqui nós temos um enorme potencial. Escolhi esse Estado para morar e vejo a capacidade de empreender. É possível fazer ainda mais”, finaliza o CEO.

O que é mais importante para o sucesso de um negócio?

“O que realmente cria prosperidade é encontrar soluções. Muitos criam soluções e saem procurando um problema para resolver. Outro fator que garante um sucesso duradouro às empresas é fazer tudo da forma certa, com ética e integridade, por mais que isso gere custo. No fim das contas, é a única forma de ter uma empresa que vai estar aqui em alguns anos. Em resumo: encontrar o problema certo, conduzir o negócio com integridade e ética, sempre dentro da lei”.

 

Fonte: G1

Página Relacionada: http:// https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/sc-que-da-certo/noticia/empresa-de-joinville-cria-sistema-de-locacao-e-numero-de-robos-cresce-na-industria-brasileira.ghtml

Matéria no NoticiadorWeb: Empresa de Joinville cria sistema de locação e número de robôs cresce na indústria brasileira

Autor: MKT PortaldoLocador.com

Data de Publicação: 26/04/2018

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